Descrição
O Forum Arte Braga e o INDEX têm o prazer de convidar para a inauguração da exposição coletiva “Poder”, no dia 7 de maio, às 17h.
A exposição tem curadoria de Joel Valabrega e conta com a participação de Bod Mellor, Jonna Kina, Stine Deja e Gabriel Abrantes.
Esta exposição integra o programa expositivo “PODER”, que propõe uma reflexão sobre o conceito de poder nas suas relações com a arte e a tecnologia.
No dia de abertura do INDEX, haverá um percurso guiado pelos vários espaços do programa expositivo. A visita começa às 14h30 e passa pelo Gnration, Muzeu, Theatro Circo, Forum Arte Braga e Mosteiro de Tibães.
A participação é gratuita e não requer inscrição.
Ponto de encontro: Gnration
O transporte para o Forum Arte Braga e para o Mosteiro de Tibães será assegurado pela organização.
Exposição: PODER/POWER
Curadoria: Joel Valabrega
No âmbito do festival INDEX
Inauguração: 7 de Maio pelas 17h
Termina: 30 de Maio
Participantes: Bod Mellor, Jonna Kina, Stine Deja e Gabriel Abrantes
Horários: Segunda a domingo das 10h ás 18h
“Poder – uma palavra de dimensões avassaladoras — é o ponto de partida desta exposição. Esta é uma palavra que desafia qualquer categorização fácil, resistindo a restrições e a definições fixas. Esta estende-se, desdobrando-se ao longo da história e através da própria essência do anseio. A sua imensidão torna impossível qualquer tentativa de abordagem total. Em vez de pretender ser exaustiva, esta exposição coletiva abraça conscientemente a parcialidade, optando por abordar algumas das muitas facetas que definem este termo.
Esta exposição funciona por intuição, em vez de hierarquia. As obras não procuram a profundidade de forma sistemática, antes permanecem deliberadamente próximas da superfície, onde os símbolos circulam rapidamente e a autoridade é exercida, imaginada ou distorcida. Esta superfície não é fútil. É carregada, instável e reveladora. Ao longo da exposição, a ironia funciona como uma válvula de escape. A sua presença aguça as arestas críticas, permitindo simultaneamente momentos de alívio sob tal intensidade.
Algumas das obras evocam fantasias infantis de autoridade projetadas para o futuro, com crianças a imaginarem-se como ditadores, onde a inocência se entrelaça com a dominação de formas que são simultaneamente inquietantes e absurdas. Noutros casos, o poder é encenado através da ausência, em lugar de ser declarado. Os discursos ocorrem sem palavras, o silêncio total é utilizado para afirmar a autoridade, criando uma sensação de tensão, expetativa e submissão através do que é retido, em vez do que é expresso. Outras obras assumem registos mais sombrios. Guardas prisionais, juízes e administradores de centros de detenção são retratados como presenças monstruosas ou espectrais, ao mesmo tempo que fantasmas emergem em conversas profundas, refletindo acerca das estruturas de controlo invisíveis que moldam as sociedades contemporâneas. Estas figuras fantasmagóricas não assombram apenas o passado, mas permanecem no presente, ecoando a brutalidade não resolvida e as hierarquias duradouras.
Obras sonoras baseadas em gravações de campo de drones simbolizam regimes de vigilância e controlo sobre territórios disputados. Estes vestígios sonoros atuam de forma silenciosa, mas consistente, refletindo formas de poder que são simultaneamente predominantes e quase invisíveis. Poemas gravados nas paredes de edifícios históricos não oferecem qualquer ilusão de esperança. Recusam o consolo e reconhecem a linguagem como um espaço onde a violência é vista como irreversível. A exposição sugere também formas menos visíveis de poder. A vida após a morte surge como uma extensão do controlo, onde os sistemas de crenças continuam a regular os corpos e o comportamento para além da morte.
O controlo tecnológico é igualmente visível através do poder silencioso das palavras-passe, dos códigos de acesso e das identidades encriptadas, revelando como a autoridade é hoje frequentemente exercida através de sistemas invisíveis, em vez de força física. Desde as fantasias infantis de dominação até à regulação imaginária da vida após a morte, a exposição traça a forma como o poder molda corpos e mentes dentro de um ciclo contínuo de existência, no qual a própria vida se desenrola sob as estruturas persistentes do controlo.”